15 de Abril descanso
em Correntina, pedal para sete ilhas. (20km, levíssimo e de chinelo)
Fiquei de bobeira em Correntina, mas como não há maneiras de
ficar no quarto da pensão (15 reais a diária), fui pra rua. Fui conhecer as 7
ilhas, pertinho da cidade é só descida. Não me demorei muito lá e logo subi o
morro. Mas fiquei sem ter o que fazer e fui lá de novo, e fui numa cachoeira
que fica depois das ilhas também. No meu dia de descanso, pedalei 20tinho e de
chinelo. Na volta flagrei 3 meninos vendedores de picolé num passa tempo bem
xarope: tacar pedra na lâmpada do poste. Passei e fiquei olhando, e eles lá na
maior diversão quebrando a porra do poste! Não falei nada... Turistão pagando
sapo pra nativo? Não ia rolar... segui caminho e vi que vários postes já
estavam depredados, tsc...
16 de Abril, Correntina – Bom Jesus da Lapa (120km, leve)
Eram para ser 150km, mas TIVE que pegar uma carona... No
meio do caminho, passei pela cidade de Santa Maria da Vitória. Fui perguntar
pra um ciclista na rua onde se almoçava baratinho... Papo vai papo vem, ele me
chamou pra almoçar na casa dele! E ainda me deu 10 conto! Muchas Gracias!
Almoço em Santa Maria da Vitória |
De bucho cheio, fui pegar a estrada. Aí que começou o meu
drama... Poucos kms de pedal, e o pneu furou. E já vi vários espinhos grudados
nele... tirei cada um com muita paciência e fiz o remendo. Não andei nem 5km e
outro furo. Acho que devo ter feito uns 6 remendos quando desisti de pedalar e
estendi o dedão (peguei carona). O caminhão me levou por uns 30km até pertinho
de Bom Jesus da Lapa. Desci, arrumei o pneu mais uma vez, e fui pra cidade.
Logo na subida da ponte, pra cruzar o rio São Francisco, outro furo! Aí eu nem
remendei... fui enchendo com a bomba até chegar na cidade.
Consegui um quarto de graça. Jantei e fui deitar. Não rolava...
muito quente! Muitos mosquitos! Tomei uns 5 banhos gelados... lá pras tantas, fui
tomar uma cerveja. Cheguei no boteco e já fiz amizade com uns caminhoneiros...
Resultado: várias cervejas de graça e mais um trocado pro meu bolso! Aí sim
pude dormir com mais tranqüilidade...
Esse foi o sétimo furo do dia |
17 de Abril, Bom Jesus da Lapa – Riacho de Santana (65km,
leve)
Igreja na Guta, Bom Jesus da Lapa |
|
Ao sair da cidade, fui visitar a dita igreja que fica dentro
da gruta. Estava rolando uma missa na hora e só fui ver rapidinho. Na saída da
igreja, um camarada começa a me chamar. Eu nem dei bola e continuei andando, o
assédio aos turistas ali é bem xarope e eu pensei se tratar de mais um cara
querendo bater fotos. Mas não era. Era um cara que eu conheci em Correntina, lá
nas 7 ilhas. Estava com um grupo de adolescentes e conversamos e eu contei da
viagem e tudo... vários ficaram impressionados e ele não acreditou muito. Agora
ele acredita.
Os furos continuaram, mas foram mais uns 4 esse dia. Mas peguei
uma manha de andar onde os carros passam mesmo, e evitar os espinhos. Só o pneu de trás que estava furando, por ser
bem fino (1.25) e não ter a fita anti furo. Daí que cheguei em Riacho de
Santana e comprei um pneu novo... com cravos... vagabuuundo! 20 reais... mas
não furou mais...
Tive que pagar por acomodações e comida. E ainda por cima,
não vi o show do Bob Dylan.
18 de Abril, Riacho de Santana – Caetité (80km, leve)
Já estava com saudades do sobe desce das estradas, era tudo
chapadão até então. O pneu novo segurou
a onda... nada de furos. E logo cheguei na cidade. Muito movimentada, não gosto
muito disso. Tentei descontos em todas as pousadas, sem sucesso. Estava quase
desistindo e indo armar a rede no posto, quando eu passei na frente do Caetité
Palace Hotel. Fui tentar uma parceria, e rolou! Uma ótima noite numa cama
cheirosinha! Valeu! Perdi meu boné em caetité.
Aí caiu |
Um cara muito louco pilotava essa bike! |
19 de Abril, Caetité – Ibitira (50km, leve)
Mais um cemitério no caminho. |
20 de Abril, Ibitira – Brumado (50km, leve)
Foram mais fáceis que os 50 anteriores. Aí, que Brumado é
uma cidade das grandes também... bem difícil pra quem depende da bondade
alheia. Pousadinhas caindo aos pedaços e caras. Com muito custo, consegui fazer
uma parceria com o Jorge, que me cobrou 20 reais por diária no quarto com ar
condicionado (coisa inédita pra mim até então) e almoço e janta inclusos! Valeu
muito a pena!
Ao chegar na cidade, fui procurar uma loja de bicicleta.
Precisava de 2 pneus slick e um banco. Consegui um ótimo desconto em tudo, saiu
85 reais que eu passei no cartão de crédito, a fatura vai chegar aí em casa, ta
bom mãe?!
A noite fui na festa agropecuária da cidade, fui andando
mesmo. Ri um pouco lá, perdi 2 reais naquelas roletas de aposta com os nomes
dos times e voltei pra pousada. E quem disse que eu tinha a chave? Tava tudo
fechado e ninguém atendia aos meus gritos. Fui ligar no telefone do letreiro e
nada... já estava me preparando pra dormir na calçada, quando fui ao posto de
gasolina e pedi o celular do frentista emprestado. O cara foi super gente fina
e emprestou e o Jorge atendeu! Ufa!
Dormi na cama com o ar condicionado no máximo.
21 de Abril, Im only sleeping
Acordei cedo, comi e dormi. Almocei e dormi. Mais tarde saí
pra dar uma volta. Conheci uns mototaxi e aí foi a perdição! Tomamos várias
cervejas. Um cara chegou com um violão, aí que eu esfolei meu dedo tocando Raul
seixas, eles realmente conheciam todas as músicas! Foi bom matar a saudade do
violão. Cheguei tarde na pousada e perdi a janta.
22 de Abril, Cama e internet. Nada mais.
23 de Abril, Brumado – Algodões (52km, pesado)
Tinha várias coisas pra resolver na segunda feira em
Brumado. Pegar o carrinho na empresa de ônibus, pegar uma encomenda nos
correios, enviar 1,5kg de coisas pra Brasília e comprar um carregador de
pilhas. Fiz tudo isso, menos a encomenda de Brasília que não chegou. Aí já eram
quase meio dia quando fui sair da cidade. Não tinha pedalado nem 10km ainda
quando parei pra tomar um pouco de água quente, bem na frente de uma casinha.
As crianças ficaram mexendo comigo, e eu fui lá pedir água. Logo conheci o “Binho”
. Trocamos umas idéias e ele quis me levar numa cachoeira que ficava perto
dali. Topei. Estacionei a bicicleta no quintal da casa dele e fomos de moto. Ele
tava no maior cheiro de cana! E demos um mergulho. Salvou do calor! Almocei com
ele, em meio a gritos de sua mulher e sua mãe. E parti.
Passeando de moto com o Binho |
Há uma diferença entre cachoeira e bica de água |
No caminho vi que haviam muitas vilas, e eu logo quis projetar
os filmes em uma delas... quando deu umas 5 da tarde, encostei em uma vila
dessas. Dei a idéia do filme e me disseram que eu precisava falar com a Odete. Coordenadora
da paróquia. Esperei um tanto até a Odete chegar e ela topou, me mostrou uma
pracinha do lado da prefeitura que era perfeita pra eu passar o filme e passar
a noite. Tomei um banho de balde meio escondido atrás da igreja e fui arrumar
as coisas. A noite veio e os espectadores também.
Comecei projetando um curta meio lento: 10 centavos. Tinham poucas pessoas e vi que eles não gostaram muito do curta. Mas logo chegaram mais crianças e eu coloquei o curta: Procura-se. Adoraram! Riram muito! Mas uns menores não paravam quietos.. as vezes não dava pra escutar. Depois projetei: sonhando passarinhos. Os menores que gostaram mais, mas não tinha muito do que rir... eles queriam era rir. Então ta: Coloquei Jeca Tatu. Gargalhadas e mais gargalhadas, mas sem prestar muita atenção no enredo do filme.
Ao termino do jeca tatu, todo mundo aplaudiu. Eu falei um
pouco sobre o filme e sobre o meu projeto. Aí eles pediram que eu colocasse o
filme do cachorro novamente. Bis de Procura-se.
Terminou a sessão... legal, todo mundo foi pra casa e eu fui
guardando as coisas. Logo fiquei sozinho na praça e armei a rede. Cheguei a
pensar:
Poxa, eu aqui sozinho com uns 5mil reais em equipamentos... Mas fui dormir
Ao terminar a sessão, as crianças pediram pra ficar na frente do projetor! |
Estava quase pegando no sono quando chegam duas motos. “mas ele ta dormindo!”
Aí eu respondi e sai da rede:
-estou acordado.
Eram 5 caras em 2 motos. Um belo sanduíche ein... Um mais
bêbado que o outro. Senti um clima de hostilidade no ar. Eles queriam ver o
filme. Eu disse que já tinha acabado a sessão. Um deles eu não conseguia nem
entender o que me dizia... Do nada, pegou uma pedra grande e lascou no chão da
praça! Fez um belo de um buraco no concreto. Aí eu preocupei. Mas soube
contornar a situação e despacha los. Quando eles foram embora um disse:
- pode ficar aí, de boa. Não vamos fazer nada não.
Acho que era a intenção inicial, me zuar, sei lá... aí, quem
disse q eu dormi direito depois. Cada folha que o vento arrastava eu já pegava
na faca (que estava na minha cintura). Mas a noite passou e eles não voltaram.
De saída em algodões |
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Valeu!