segunda-feira, 14 de maio de 2012

Chegou ao fim






30 de Abril, Mucugê.
Enviei o carrinho reboque pra casa, havia muita coisa ali que não estava usando. A cozinha inteira por exemplo. A barraca, tênis e muitos outros itens. Paguei 70 reais pelo serviço. Despachei o sistema de som também, ele não estava segurando a onda, e na hora de projetar, iria pedir um som emprestado. Então saí com o básico do básico para sobrevivência e o cinema na garupa e na mochila. Tive que levar a mochila nas costas, pois minha garupa suporta apenas 9kg.
Comprei um celular, 100 reais em 2x no cartão. Se arrependimento matasse... Péssimo celular, com a bateria que dura cerca de meia hora. Mas serviu pra me comunicar com Brasília.

31 de Abril, Mucugê - Itaetê (70km, leve com mochila nas costas)
Era pra ser um trecho bem fácil, com muitas descidas e uma belíssima paisagem. Mas cheguei pregadíssimo em Itaetê, e quase sem grana. Então decidi ir logo para o litoral. Ao chegar na única pousada da cidade, após negociar um belo desconto, perguntei sobre o transporte para Iaçu, que fica uns 110km dali. E o dono da pousada disse: - Estou indo amanhã as 4h da manhã pra lá, se quiser te levo. Pronto, tinha descolado uma carona. Jantei bem, pois o dia todo não tinha comido quase nada, só lanchinhos e dormi cedo.

(perdi todas as fotos do meio da viagem, em Mucugê gravei tudo num cartão SD que eu tenho, e ele se corrompeu, vou mandar pra SP pra tentar recuperar, :/ )

01 de Maio, Itaetê - Valença (300km entre caronas e ônibus)

Às 4h lá fomos nós, eu pensava que ia só eu e ele, mas não. Era um ônibus fretado, onde ele buscou gente na cidade inteira até pegar a estrada. Chegamos em cedo em Iaçu, e fui ver se rolava de ficar por ali ou já seguia pedalando. Nem um nem outro, fui pra rodoviária e peguei um ônibus pra Santo Antônio de Jesus, tirei a roda dianteira, amarrei na bike e fui nessa. mais 100km, 20 reais.
Cheguei na cidade, montei a bicicleta, andei nem 5min por ali, e voltei pra rodoviária, peguei um ônibus pra Valença. Já estava vendo que a viagem não ia ser totalmente completada, Decidi voltar. Faltava decidir de onde. Em valença me hospedei do lado da rodoviária, com um desconto especial pro cilcoturista aqui. Mas a janta foi mais cara que o quarto. Pedi um comercial de bife. Eu coloquei um temperinho creeente que era vinagrete, mas não era, era pimenta. Nossa! que ardência! Bebi litros de coca cola.


02 de Maio, Valença - Barra de Serinhaém (78km, leve com a mochila nas costas)

Amanheceu chovendo. A Bahia toda está numa seca tremenda, mas justamente onde eu estava, amanheceu chovendo. Esperei um pouco, e assim que ela deu uma trégua, peguei estrada. Mas logo começou de novo. Coloquei as capas de chuva, e segui viagem. Mas logo decidi parar pra esperar. Parei numa marquise que havia em um portão de uma fazenda. Tirei a blusa e tirei umas fotos. Quando pensa que não, alguém aciona o portão lá de dentro da fazenda, o portão abre e derruba minha bicicleta e a mochila no chão. E logo ele para e volta. Fizeram isso de sacanagem, pra eu sair dali. Não liguei e continuei lá. Fiz um vídeo contando o ocorrido. Aí me aparece um capanga, ele tinha uma arma automática na cintura e veio dizendo: - Xispa! Xispa! Apaga as fotos! Deixa eu ver, apaga as fotos! Obedeci aquele pedido tão educado, pedi desculpas e segui na chuva com o coração batendo na boca! Com certeza era algo de muito ilícito que rolava ali.

Um sorriso antes de ser expulso pelo capanga



Abstraí e fui em direção a praia de Pratigi. Sabendo que lá seria tudo caro, consegui azarar um almoço com direito a uma lata de refrigerante numa vila um pouco antes da praia. Ao chegar em pratigi, pensei que era uma cidade, mas não era, tinha só a praia e meia dúzia de barracas. A maioria fechada. Finalmente dei um mergulho no mar!


Queria ir para barra grande dali, tinha que pegar uma balsa, mas não era ali. era em Barra de Serinhaém, distante 18km pela areia da praia. Esperei por 1h e meia a maré baixar pra poder ir pedalando pela praia mesmo. Esperei tomando uma cerveja e batendo papo. Lá pras 4 da tarde já dava pra ir. Fui.






Aí que eu percebi que tinha perdido a capa de chuva da mochila, e o tempo estava fechando. e fechou. Tive que usar minha capa de chuva do corpo pra cobrir a mochila. fui tomando chuva, mas os equipamentos estavam secos.


Cheguei na Barra de Serinhaém, onde eu já sabia que havia uma pousada. Chamei lá, falei com o dono. A diária era apenas 120,00. Conversa vai, conversa vem. pude ficar de graça. Acontece que fora de temporada quase nada abre ali, e não tinha um restaurante pra eu bater aquela esperada jantinha. Fui ao mercadinho e comprei ingredientes pra uns sanduíches. E foi essa minha janta. Aí, no meio da noite, me deu uma tremenda sede, e eu estava sem água. E lembrei: Tenho um esqueminha de cloro aqui, que é só pingar umas gotas, esperar 10min e tomar a água. AHAM! Fiz isso... Tomei a água. dali meia hora, estava botando tudo pra fora... Por todos os caminhos possíveis.
Luxo em: Barra de Serinhaém




03 de Maio, Barra de Serinhaém - Camamu (Balsa, e 37km pedalando leve com a mochila nas costas)

A Balsa estava marcada para sair às 10h da manhã, mas às 9h já estava lá. E não é que ela saiu antes... Sorte que cheguei cedo. A viagem custou 6 reais até Ituberá, e demorou umas 3h. Foi bom que fui descansando da noite mal dormida ao som daquele motorzinho (papapapapapa), bem relaxante.



A garupa estava com problemas, ficava descendo e pegando na roda, fui tentar arrumar e o parafuso espanou. Consegui outro em Ituberá, almoçei e segui viagem para Camamu. No caminho me pintei com Urucum.



Detestei a cidade de Camamu, uma grande zona e fedidda. Várias casas em ruínas e pousadinhas todas caras e nenhum desconto. Paguei 30 reais pra dormir num muquifo! Cheguei e chapei nesse muquifo. Acordei morrendo de fome umas 9h da noite, e estava tudo fechado! A cidade deserta, só bares abertos. Com sorte achei um churrasquinho aberto do lado de um complexo de bares lá. Comi 3 completos e voltei a dormir.





 

04 de Maio, Camamu - Itacaré (65km, leve com a mochila nas costas)
Encontrei 2 carros carbonizados no caminho. Um era mais recente. Logo depois, vi dois caras na beira da estrada, como o acidente era recente, perguntei pra ele se eles sabiam o que havia ocorrido com o carro (o mais recente) um respondeu assim: - Parou pra perguntar. Hehe! Dei de ombros e segui estrada. Sabia que ia ser tudo caro em Itacaré, já fui preparando o cartão de crédito. Mas pra minha surpresa, achei coisa mais barata que em Camamu por exemplo, 20 mangos a pousadinha perto da praia. Tá certo que o dono foi muito grosso comigo quando pedi desconto com o adesivo na mão. “vai ficar ou não!?!? Isso aí você vai lá na prefeitura pra eles te ajudarem!” Mas fiquei lá mesmo assim. Depois ele veio perguntar sobre o projeto, eu falei: “É um projeto com cinema.” E saí. Também sei ser grosso. Gostei muito de Itacaré, adoraria ficar lá mais tempo.... Mas pra variar, sem grana não ia rolar. Aí, que eu decidi uma coisa muito importante: Que iria voltar pra casa de Ilhéus.
 






05 de Maio, Itacaré – Ilhéus (85km leve com a mochila nas costas)
Saí bem cedo de Itacaré, junto com o sol. Só não saí mais cedo porque estava chovendo. No caminho pretendia passar em algumas praias, Itacarezinho, Hawaizinho e uma cachoeira no final, pra tirar o sal do corpo. Logo cheguei na praia do Hawaizinho, fiz uma trilha bem leve pra chegar lá, mas estava tudo molhado e quase caí umas duas vezes, algumas ruínas de construções no caminho e cheguei na praia. Já haviam dois surfistas lá, e as ondas enormes! Entrei na água, tomei um caldo e saí. Aí desisti de ir na praia do Hawaizinho, pois estava com uma certa pressa, pois eu tinha que chegar cedo em Ilhéus, já estava com a passagem comprada e tinha que despachar a bicicleta até as 4 da tarde, então fui direto pra cachoeira do Tijuipe. Cheguei na porta, e estava tudo trancado. Chamei e nada. Decidi entrar mesmo assim pelo vão que havia em baixo da porteira, precisava tirar o sal do corpo. Entrei e saí sem ser percebido. Com muito custo, cheguei a ilhéus, estava sentido uma dorzinha há alguns dias no tendão do calcanhar esquerdo. Mas não dei muita importância. Mas neste último dia de pedal a dor se intensificou. Cheguei na cidade morrendo de pressa, pois tinha a informação errada de que havia que despachar a bicicleta 48h antes do vôo. Informação errada, era só ligar lá e reservar um lugar para minha bicicleta 48h antes do vôo. Atravessei a cidade toda pra chegar no aeroporto e fazer uma ligação no SAC. Putz, seria muito melhor ter feito isso de itacaré e ficado descansando lá.




















 




Então foi isso. Fiz apenas 1.670km em 33 dias de viagem, 3 projeções com cerca de 100 espectadores. E o projeto chegou ao fim.

Azul: Pedalando. Vermelho: Demais transportes




1 Brasília – Chico10 – 133km, 10kg
2 Chico10 – Lanchonete Portugal – 67km, 10kg
3 São Jorge – Vale da Lua – 10km, 0kg
4 Raizama – São Jorge – 8km, 0kg (bicicleta emprestada)
5 São Jorge – Valdomiro – 23km, 70kg
6 Valdomiro – Isaura – 63km, 70kg
7 Isaura – Rio Paranã – 52km, 70kg
8 Rio Paranã – Iaciara – 30km, 70kg
9 Iaciara – Posto Rosário – (38km, 70kg – 30km, 13kg)
10 Posto Rosário – Posto X BR349 – 113km, 13kg
11 Posto X – Correntia – 100km, 13kg
12  Correntina – 7ilhas – cachoeiras – 20km, 0kg
13 Correntina – Bom Jesus da Lapa – 120km, 13kg
14 Bom Jesus da Lapa – Riacho de Santana – 65km, 13kg
15 Riacho de Santana – Caetité – 80km, 13kg
16 Caetité – Ibitira – 50km, 13kg
17 Ibitira – Brumado – 50km, 13kg
18 Brumado
19 Brumado
20 Brumado – Algodões – 52km, 70kg
21 Algodões – Livramento de Nossa Senhora – 40km, 70kg
22 Livramento de Nossa Senhora – Rio de contas – 14km, subida 70kg
23 Rio de contas – Jussiape – 40km, 70kg
24 Jussiape
25 Jussiape – Capão do Meio – 25km, 70kg
26 Capão do Meio – Mucugê – 70km, 70kg
27 Mucugê
28 Mucugê – Itaetê – 64km, 35kg (mochila nas costas)
29 Itaetê – Valença – 280km (carona)
30 Valença – Barra de Serinhaém – 78km, 35kg (mochila nas costas)
31 Barra de Serinhaém – Camamu – 37km, 35kg (mochila nas costas)
32 Camamu – Itacaré – 65km, 35kg (mochila nas costas)
33 Itacaré – Ilhéus – 85km, 35kg (mochila nas costas)

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Adios reboque



24 de Abril, Algodões – Livramento de nossa senhora (45km, pesado)

Ao acordar na praça fui servido com café e bolachas. Um papinho pela manhã e estrada. Pedalei só de bermuda, pra pegar um bronze. Logo cheguei na cidade de livramento. Tentei descolar um almoço, mas sem sucesso. Paguei. Tentei descolar uma dormida, sem sucesso também. Já estava me preparando pra fazer os 10km de subida que havia depois de livramento, quando parei num hotel mais caro. E recebi um SIM! Ar condicionado e tv a cabo. Pronto, o resto do dia sem fazer nada. Mais uma vez o pneu do carrinho estava furado. O dono do hotel disse que eu poderia ficar o tempo que quisesse, mas decidi partir no dia seguinte mesmo.




25 de Abril, Livramento – Rio de Contas (14km, pesado, subida)

Um belo café da manhã e fui subir a serra. Tive a companhia do mateus, que conheci lá em livramento. Ele salvou minha pele! Por vários momentos, ele ia pedalando e empurrando o carrinho pra me ajudar a subir. Mesmo assim, tive que descer da bicicleta pra empurrar, e ele descia e empurrava junto comigo! Daí que no alto da serra, tinha uma bica de água, fiquei uma boa meia hora ali, refrescando.
Cheguei na cidade e vi essa placa:

Não pude deixar de fazer uma piadinha sem graça:




Queria ficar uns dias em Rio de contas, pra conhecer as cachoeiras. Mas consegui somente um dia de graça na pousada maia e resolvi partir no dia seguinte mesmo. Só fui a uma cachoeira, do fraga. Não achei bonita, mas foi massa mergulhar nesse rio de contas cor de coca cola.
Fui ver o saldo na lotérica, aí tinha só 7 reais. E fiquei de papo com o caixa da lotérica, que acabou pagando meu almoço!
 


26 de Abril, Rio de Contas – Jussiape (40km, pesado)

Muita descida! Cheguei a quase 70km/h o carrinho todo tremendo lá atrás... se ele virasse numa velocidade dessa, era caixão! Aí, reduzi...

Estava parado no acostamento, quando passou um cara de moto, olhou... olhou... e passou. Aí ele fez a volta e veio em minha direção, trazia uma de suas mãos no guidão da moto e a outra junto da barriga, olhei mais atento e vi uma arma na sua mão. Direitinho! O coração veio na boca! (vou ser assaltado!)
Aí ele chegou mais perto, e vi que era um celular. Ele perguntou se estava tudo bem, eu disse que sim, meio gaguejando, e ele foi embora.

Logo na primeira pousada de Jussiape fui muito bem recebido! Comida, e quarto com ar. Falei com o dono sobre o cinema, ele pilhou demais! Logo chamou o cara da rádio e fomos ver onde projetar. No bar da praça, onde o cara já tinha um lugar para o telão, e aos sábados ele passava uns DVDs de música lá... Aí que a noite caiu e eu fui ligar as coisas. A luz dos postes era muito forte. Que atrapalhou a qualidade da imagem, pois meu projetor possui apenas 15lumens, muitos por aí tem mais de 2 mil. E o som também não ajudou, minhas caixinhas não estavam segurando a onda, e o cara do quiosque me cedeu apenas uma. Melhorou, mas não tava muito bom. Não sei se por isso ou se por falta de interesse mesmo, a sessão foi um fracasso. Os poucos que pararam pra ver, não deram muita importância e foram saindo. Projetei apenas 3 curtas e desliguei.


Maré Capoeira pra 4 pessoas.






Moço, tem uma aranha ali dentro, ó!

27 de Abril, descanso em Jussiape.
Fiz a barba.
E vi galinhas ciscano no esgoto.


28 de Abril, Jussiape – Capão do Meio (25km, pesado, subida)

Todo mundo me avisando que haveria uma enorme subida pela frente, e de terra! Beleza, eu empurro. Era uma estrada bem difícil seguir, toda hora tinha uma bifurcação e eu ficava esperando passar uma moto pra pedir informação e não pegar a estrada errada. Começou a subida. Empurrei! Fiz um vídeo do sacrifício, mas não ta dando pra postar, pois é grande e a internet aqui não ajuda. No meio do caminho dormi, preguei mesmo! Aí passou a subida.
Cheguei no vilarejo capão da volta. Muitas crianças na rua, era domingo. Vi uma menina de cadeira de rodas, e logo pensei num filme pra projetar pra ela.
Mas ainda não sabia se ia projetar ali. Conversei com alguns populares, e disse que iria passar a noite ali na praça, na rede mesmo. Armei a rede.
Logo o vavá, dono de uma mercearia ali na frente gostou muito da idéia e falou para projetarmos ali mesmo, na sua venda. Armei as coisas e ele avisou toda a mulecada! Que a sessão desta noite seria só para crianças. Conversei com a menina cadeirante, pra ela ir ver o filme. Mas ela me explicou que não era cadeirante, que tinha um problema de pele, e que ela andava um pouco. Aí que deu 8h e começou a sessão, projetei:
1 maré capoeira
2 procura-se
3 sonhando pasarinhos
4 o filho do vizinho
5 vinil verde
 


 
Ia parar no quarto filme, mas eles pediram mais um. Aí eu disse que era de terror. Eles não gostaram muito de vinil verde. Rs! Mas foi um sucesso! As crianças se comportaram muito bem e entenderam o filme. Pois tive a ajuda de 2 caixas de som a mais!

Ainda bem que o vavá me acolheu na casa dele, êta noite fria! Se tivesse ficado na praça na rede não ia ter rolado de dormir!
 
Conheci uma prima distante do vavá, que estava morando com ele. A senhora tinha apenas 104 anos! Não escutava quase nada, tinha os dedos todos tortos, aquilo devia doer! Tivemos 15 minutos de conversa e fui jantar.


Valeu vavá!

 
29 de Abril, Capão da Volta – Mucugê (73km, pesado)

Eram apenas 10km de terra e o resto de asfalto. Ahh, tranqüilo... e sem morros ainda. Aí saí cedo e meti o pau! Estava escutando Arnaldo Baptista – Balada do Louco, quando pensei: poxa.. nunca tinha reparado nesse efeito do teclado. Um tssshhxxxx assim no fundo. Aí eu olho pra trás, ta o carrinho todo torto e a roda pegando no plástico, fazendo o tal barulho. No meio do nada! Mas logo fiz uma gambiarra, coloquei uma chave allen no lugar e prendi com borracha. 


Finalmente asfalto. E me botaram muito medo a cerca da desta estrada que estava, perto de cascavel. Antes de mucugê. Que eu não parasse para ninguém! Mas não rolou nada... almocei de graça no meio do caminho e cheguei pregadsíssimo na cidade. Já tinha decidido em enviar o carrinho pra casa! Estava levando muita coisa que não estava usando, cozinha, barraca, e muitas roupas que nem se quer toquei.
Aí decidi fazer assim: Vou seguir com o mínimo necessário, levar somente o projetor e a tela. Quando for projetar um filme, vou precisar de um som. Simples assim. Não preciso daquela tralha toda. Isso pode fazer a viagem ficar mais cara, mas melhor assim.

Em Mucugê não tive muito sucesso pra conseguir descontos. Adoraria ficar mais aqui mas não rola, tudo muito caro.


Cemitério Santa Isabel, desde 1844







Sessão particular no meu quarto em Mucugê.








terça-feira, 24 de abril de 2012

Finalmente, projeção!




15 de Abril  descanso em Correntina, pedal para sete ilhas. (20km, levíssimo e de chinelo)
Fiquei de bobeira em Correntina, mas como não há maneiras de ficar no quarto da pensão (15 reais a diária), fui pra rua. Fui conhecer as 7 ilhas, pertinho da cidade é só descida. Não me demorei muito lá e logo subi o morro. Mas fiquei sem ter o que fazer e fui lá de novo, e fui numa cachoeira que fica depois das ilhas também. No meu dia de descanso, pedalei 20tinho e de chinelo. Na volta flagrei 3 meninos vendedores de picolé num passa tempo bem xarope: tacar pedra na lâmpada do poste. Passei e fiquei olhando, e eles lá na maior diversão quebrando a porra do poste! Não falei nada... Turistão pagando sapo pra nativo? Não ia rolar... segui caminho e vi que vários postes já estavam depredados, tsc...



16 de Abril, Correntina – Bom Jesus da Lapa (120km, leve)
Eram para ser 150km, mas TIVE que pegar uma carona... No meio do caminho, passei pela cidade de Santa Maria da Vitória. Fui perguntar pra um ciclista na rua onde se almoçava baratinho... Papo vai papo vem, ele me chamou pra almoçar na casa dele! E ainda me deu 10 conto! Muchas Gracias!
Almoço em Santa Maria da Vitória
De bucho cheio, fui pegar a estrada. Aí que começou o meu drama... Poucos kms de pedal, e o pneu furou. E já vi vários espinhos grudados nele... tirei cada um com muita paciência e fiz o remendo. Não andei nem 5km e outro furo. Acho que devo ter feito uns 6 remendos quando desisti de pedalar e estendi o dedão (peguei carona). O caminhão me levou por uns 30km até pertinho de Bom Jesus da Lapa. Desci, arrumei o pneu mais uma vez, e fui pra cidade. Logo na subida da ponte, pra cruzar o rio São Francisco, outro furo! Aí eu nem remendei... fui enchendo com a bomba até chegar na cidade.
Consegui um quarto de graça. Jantei e fui deitar. Não rolava... muito quente! Muitos mosquitos! Tomei uns 5 banhos gelados... lá pras tantas, fui tomar uma cerveja. Cheguei no boteco e já fiz amizade com uns caminhoneiros... Resultado: várias cervejas de graça e mais um trocado pro meu bolso! Aí sim pude dormir com mais tranqüilidade...
Esse foi o sétimo furo do dia







17 de Abril, Bom Jesus da Lapa – Riacho de Santana (65km, leve)
Igreja na Guta, Bom Jesus da Lapa








Ao sair da cidade, fui visitar a dita igreja que fica dentro da gruta. Estava rolando uma missa na hora e só fui ver rapidinho. Na saída da igreja, um camarada começa a me chamar. Eu nem dei bola e continuei andando, o assédio aos turistas ali é bem xarope e eu pensei se tratar de mais um cara querendo bater fotos. Mas não era. Era um cara que eu conheci em Correntina, lá nas 7 ilhas. Estava com um grupo de adolescentes e conversamos e eu contei da viagem e tudo... vários ficaram impressionados e ele não acreditou muito. Agora ele acredita.
Os furos continuaram, mas foram mais uns 4 esse dia. Mas peguei uma manha de andar onde os carros passam mesmo, e evitar os espinhos.  Só o pneu de trás que estava furando, por ser bem fino (1.25) e não ter a fita anti furo. Daí que cheguei em Riacho de Santana e comprei um pneu novo... com cravos... vagabuuundo! 20 reais... mas não furou mais...
Tive que pagar por acomodações e comida. E ainda por cima, não vi o show do Bob Dylan.












18 de Abril, Riacho de Santana – Caetité (80km, leve)
Já estava com saudades do sobe desce das estradas, era tudo chapadão até então.  O pneu novo segurou a onda... nada de furos. E logo cheguei na cidade. Muito movimentada, não gosto muito disso. Tentei descontos em todas as pousadas, sem sucesso. Estava quase desistindo e indo armar a rede no posto, quando eu passei na frente do Caetité Palace Hotel. Fui tentar uma parceria, e rolou! Uma ótima noite numa cama cheirosinha! Valeu! Perdi meu boné em caetité.



Aí caiu
Um cara muito louco pilotava essa bike!





19 de Abril, Caetité – Ibitira (50km, leve)
Estava disposto a fazer os 100km que separam as cidades de Caetité e Brumado, mas a fadiga não deixou. Mesmo depois de um senhor café da manhã, não rolou. Estava sentindo minhas panturrilhas travadas, duras. Sorte que no meio do caminho tinha uma cidadezinha, que nem tava no meu mapa. Ibitira. Logo de cara consegui um quarto de graça numa pousadinha... tomei um banho e dormi. Aí o dono me veio pedir pra trocar de hotel, pois a mãe dele não gostou da minha presença ali. Ele era dono de outro hotel ali perto. Ok. Lá nesse outro hotel, vi que ele estava com problemas com as antenas das TVs, um serviçinho muito mal feito fazia os cabos das antenas soltarem toda hora... Me prontifiquei e arrumei os cabos pra ele, com meu alicate e minha fita isolante.

Mais um cemitério no caminho.


20 de Abril, Ibitira – Brumado (50km, leve)
Foram mais fáceis que os 50 anteriores. Aí, que Brumado é uma cidade das grandes também... bem difícil pra quem depende da bondade alheia. Pousadinhas caindo aos pedaços e caras. Com muito custo, consegui fazer uma parceria com o Jorge, que me cobrou 20 reais por diária no quarto com ar condicionado (coisa inédita pra mim até então) e almoço e janta inclusos! Valeu muito a pena!
Ao chegar na cidade, fui procurar uma loja de bicicleta. Precisava de 2 pneus slick e um banco. Consegui um ótimo desconto em tudo, saiu 85 reais que eu passei no cartão de crédito, a fatura vai chegar aí em casa, ta bom mãe?!
A noite fui na festa agropecuária da cidade, fui andando mesmo. Ri um pouco lá, perdi 2 reais naquelas roletas de aposta com os nomes dos times e voltei pra pousada. E quem disse que eu tinha a chave? Tava tudo fechado e ninguém atendia aos meus gritos. Fui ligar no telefone do letreiro e nada... já estava me preparando pra dormir na calçada, quando fui ao posto de gasolina e pedi o celular do frentista emprestado. O cara foi super gente fina e emprestou e o Jorge atendeu! Ufa!  Dormi na cama com o ar condicionado no máximo.





21 de Abril, Im only sleeping
Acordei cedo, comi e dormi. Almocei e dormi. Mais tarde saí pra dar uma volta. Conheci uns mototaxi e aí foi a perdição! Tomamos várias cervejas. Um cara chegou com um violão, aí que eu esfolei meu dedo tocando Raul seixas, eles realmente conheciam todas as músicas! Foi bom matar a saudade do violão. Cheguei tarde na pousada e perdi a janta.

22 de Abril, Cama e internet. Nada mais.



23 de Abril, Brumado – Algodões (52km, pesado)
Tinha várias coisas pra resolver na segunda feira em Brumado. Pegar o carrinho na empresa de ônibus, pegar uma encomenda nos correios, enviar 1,5kg de coisas pra Brasília e comprar um carregador de pilhas. Fiz tudo isso, menos a encomenda de Brasília que não chegou. Aí já eram quase meio dia quando fui sair da cidade. Não tinha pedalado nem 10km ainda quando parei pra tomar um pouco de água quente, bem na frente de uma casinha. As crianças ficaram mexendo comigo, e eu fui lá pedir água. Logo conheci o “Binho” . Trocamos umas idéias e ele quis me levar numa cachoeira que ficava perto dali. Topei. Estacionei a bicicleta no quintal da casa dele e fomos de moto. Ele tava no maior cheiro de cana! E demos um mergulho. Salvou do calor! Almocei com ele, em meio a gritos de sua mulher e sua mãe. E parti.
Passeando de moto com o Binho
Há uma diferença entre cachoeira e bica de água







No caminho vi que haviam muitas vilas, e eu logo quis projetar os filmes em uma delas... quando deu umas 5 da tarde, encostei em uma vila dessas. Dei a idéia do filme e me disseram que eu precisava falar com a Odete. Coordenadora da paróquia. Esperei um tanto até a Odete chegar e ela topou, me mostrou uma pracinha do lado da prefeitura que era perfeita pra eu passar o filme e passar a noite. Tomei um banho de balde meio escondido atrás da igreja e fui arrumar as coisas. A noite veio e os espectadores também.




Comecei projetando um curta meio lento: 10 centavos. Tinham poucas pessoas e vi que eles não gostaram muito do curta. Mas logo chegaram mais crianças e eu coloquei o curta: Procura-se. Adoraram! Riram muito! Mas uns menores não paravam quietos.. as vezes não dava pra escutar.  Depois projetei: sonhando passarinhos. Os menores que gostaram mais, mas não tinha muito do que rir... eles queriam era rir. Então ta:  Coloquei Jeca Tatu. Gargalhadas e mais gargalhadas, mas sem prestar muita atenção no enredo do filme.
Ao termino do jeca tatu, todo mundo aplaudiu. Eu falei um pouco sobre o filme e sobre o meu projeto. Aí eles pediram que eu colocasse o filme do cachorro novamente. Bis de Procura-se.

Terminou a sessão... legal, todo mundo foi pra casa e eu fui guardando as coisas. Logo fiquei sozinho na praça e armei a rede. Cheguei a pensar:
Poxa, eu aqui sozinho com uns 5mil reais em equipamentos...  Mas fui dormir






Ao terminar a sessão, as crianças pediram pra ficar na frente do projetor!









Estava quase pegando no sono quando chegam duas motos. “mas ele ta dormindo!”
Aí eu respondi e sai da rede:
-estou acordado.
Eram 5 caras em 2 motos. Um belo sanduíche ein... Um mais bêbado que o outro. Senti um clima de hostilidade no ar. Eles queriam ver o filme. Eu disse que já tinha acabado a sessão. Um deles eu não conseguia nem entender o que me dizia... Do nada, pegou uma pedra grande e lascou no chão da praça! Fez um belo de um buraco no concreto. Aí eu preocupei. Mas soube contornar a situação e despacha los. Quando eles foram embora um disse:
- pode ficar aí, de boa. Não vamos fazer nada não.
Acho que era a intenção inicial, me zuar, sei lá... aí, quem disse q eu dormi direito depois. Cada folha que o vento arrastava eu já pegava na faca (que estava na minha cintura). Mas a noite passou e eles não voltaram.
De saída em algodões
Algodões -  BA




Eu e minha mania de cemitérios, e sim.
a lente estava suja.
Dá pra reparar isso em muitas fotos.











Esqueci de contar uma passagem!
Estava em Goiás ainda, o dia em que dormi na beira do Rio Paranã... Tinham vários cachorros e tal... Aí que deu 2 horas da manhã, e me deu uma vontade tremenda de ir ao banheiro. E estava rodeado por cachorros! O dono da casa havia de dado um pau, para caso os cachorros estranhassem eu poderia sentar a vara! aí, coloquei a lanterna na cabeça e fui... Saí da rede já começaram uns a latir, os espantei com o pau e segui para a ponte. E eles vieram atrás. Do meio do mato surgiram mais dois, aí já tava uma algazarra. Com certeza acordei todos da vila! fui na ponte, fiz oque eu tinha que fazer e voltei. Aí que foi mais foda ainda... Mais cahorros! Eu dei umas porretadas em uns, e segui caminho. Consegui chegar na rede e eles foram acalmando. Menos um que ficou praticamente a noite toda latindo pra mim...

Isso aí, estou em Nossa senhora do Livramento, já pedalei mil e carvalhadas e amanhã o pedal vai ser pesaaado! 10 quilômetros! só que só de subida! vou me preparar pra empurrar a bike! E chego em Rio de Contas, onde pretendo ficar um dia lá de bobeira, conhecer umas cahoeiras.